// Stress, exercício e longevidade

Não é surpresa nenhuma quando hoje em dia afirmamos com certeza que o estilo de vida das pessoas apresenta diversas situações que elevam o stress. Andamos mais nervosos, temos situações do dia-a-dia, pessoal e profissional, mais stressantes. 

Não é portanto surpreendente também quando dizemos que este stress pode vir a comprometer a nossa saúde. Elevados níveis de stress têm sido associados a doenças cardiovasculares, resistência à insulina e outras doenças, sendo uma delas o envelhecimento celular acelerado e precoce. 

O envelhecimento celular é evidenciado pelo comprimento dos telómeros do ADN, que estão localizados no final dos cromossomas. Os telómeros são proteínas complexas do ADN, que promovem a estabilidade dos cromossomas. Quando existe a replicação celular (divisão e aumento do número de células), se a telomerase (é uma enzima transcriptase reversa do RNA que promove o alongamento dos telómeros pela síntese de novas sequências de ADN) não acompanhar a replicação celular, o telómero fica encurtado, este encurtamento reflete-se no envelhecimento celular.
O encurtamento dos telómeros aumenta o número de citoquininas pró-inflamatórias, responsáveis pelo aparecimento de doenças cardíacas, diabetes e mortalidade numa idade mais precoce.

Como podemos então reverter ou atrasar esta condição?

Estudos científicos evidenciam que a atividade física está relacionada com telómeros mais compridos. Sendo confirmado os 150 minutos de actividade física de intensidade moderada (30’ por dia, 5 dias da semana) ou os 75 minutos por semana de atividade física de intensidade vigorosa (25’ por dia, 3 vezes por semana), recomendações do ACSM (American College of Sports Medicine), como suficientes para o exercício ter um papel protetor no envelhecimento celular. A justificação científica para este facto sustenta que a atividade física aumenta a telomerase protegendo e aumentando o comprimento dos telómeros. 

Uma maior concentração das hormonas do stress libertadas pela glândula supra-renal está relacionada com telómeros mais pequenos, isto é, uma maior nível de stress irá diminuir o tamanho dos telómeros que se reflete no envelhecimento celular, que pode ser protegido pela prática de exercício físico. O efeito agudo do exercício não parece ser suficiente para este efeito protetor referido, a continuação da prática de exercício físico é determinante.  

Mas será que a atividade física que vamos praticando ao longo do dia, de baixa intensidade, também conta para esta proteção?

Um estudo recente mostra que praticar mais atividade física, mesmo de intensidade baixa, como caminhar, andar de bicicleta ou levantar pesos, tem como consequência a alteração positiva no comprimento dos telómeros. 
Uma curiosidade interessante é a evidência que este estudo aponta ao mencionar que realizar exercício a partir dos 40 anos se torna mais significativo para diminuir a senescência celular e aumentar a longevidade.  

Posto isto, se ainda não começou a treinar, do que está à espera?


Bibliografia:
Ludlow, A.,  Zimmerman, J.,  Witkowski, S., Hearn, J., Hatfield, B. & Roth, S. (2008). Relationship between physical activity level, telomere length, and telomerase activity
Medicine & science in sports & exercise 40(10): 1764–177.1
Puterman , E., Lin, J., Blackburn, E., O'Donovan, A., Adler, N. & Epel, E. (2010). The Power of Exercise: Buffering the Effect of Chronic Stress on Telomere Length. PLoS One 5(5).


08 de Janeiro de 2016 Benefícios do Treino
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